Domingo, Novembro 08, 2009

the woman in the window 

o minha segunda curta/my second short film

Sexta-feira, Julho 03, 2009

waiting for jim jarmusch 


Quarta-feira, Agosto 06, 2008

os anos 90 


Sábado, Julho 12, 2008

o careca 


Segunda-feira, Junho 30, 2008

old joy 

Estou a deixar crescer a barba em preparação para o concerto de Bonnie 'Prince' Billy. E a perder cabelo também. Quando me empenho numa coisa, é a sério.

Sábado, Maio 10, 2008

substituição 

Uma alteração à minha compilação, saem os Silver Jews, entram os American Music Club, e logo como a canção final, devastadora, um punho de negrume que absorve todas a tentativas de fuga, I'm on my way, cantado pela voz mais doce do mundo.

Quarta-feira, Maio 07, 2008

em sonhos 





estas imagens não deviam vir acompanhadas de qualquer texto, bastam-se bem a si mesmas, ainda assim, cá vai. dean stockwell, um dos grandes actores americanos, o al do quantum leap e rapaz de cabelo verde há muitos muitos anos atrás, protagoniza esta cena, se bem que no resto da história tenha pouca ou nenhuma importância, e só por ela merece uma entrada em todos os livros de cinema e que tais, dean stockwell canta em playback uma canção, in dreams do roy orbison, qualquer coisa sobre o joão-pestana e falar e andar contigo em sonhos, lá atrás brad dourif dança como eu tenho ideia que o gerard malanga dançava nos concertos dos velvet underground, jack nance, outrora protagonista do eraserhead, agora de chapéu, tenta meter medo ao kyle maclachlan, o outro eu do david lynch, mais cá para a frente. ainda há as senhoras gordas à retaguarda, o dennis hopper, ao lado do dean stockwell a murmurar a letra da canção, e a isabella rossellini, que entra a meio. a isabella rossellini, que por essa altura começou a andar com o david lynch, tempos atrás tinha andando com o martin scorsese, que ainda mais para trás tinha andando com a filha do vincente minnelli e da judy garland, imagino que num caso agudo de cinefilia, que com a rossellini seria secundário.

Terça-feira, Maio 06, 2008

já não precisamos de casset(t)es 

Nunca fui muito bom a fazer compilações. Apesar de já ter tentado algumas vezes, nunca me saíram bem, nunca saíram como eu queria. Mesmo que escolha bem as canções, depois não sei arrumá-las como deve ser; se as compilações devem respeitar uma narrativa, as minhas são mais para o godardianas - passe o namedroping desnecessário -, têm princípio, meio e fim, mas não exactamente por essa ordem, o que lhes retira a força devida. As compilações, dizem os entendidos, devem começar com uma canção forte, crescerem a partir daí, a meio devem ter uma quebra, para depois pegarem outra vez o ritmo até ao final apoteótico. Esta que eu fiz até não começa mal, um clássico dos Guided by Voices dá lugar a uma canção entre a pop e o hip-hop do genial Apolecia dos Why?, para ir desaguar no hip-hop excelso dos Clipse e no grime de Dizzee Rascal co-adjuvado pelo falecido Pimp C e por Bun B, ou seja, os UGK, nova guinada e vamos dar ao pós-punk zangado dos Les Savy Fav, grande canção e uma das razões para fazer esta pequena colecção, mas de seguida as Sleater-Kinney anunciam o que está para vir: a depressão, que atinge o seu pináculo nos seis minutos e meio dos Spiritualized, depois de passar pelo Richard Swift, que já não vai muito contente, Will Oldham, a sua barba e a sua careca, mascarados de Bonnie "Prince" Billy não salvam a coisa com sonos amaldiçoados, que parece no entanto levantar um bocadinho com a longa narrativa de David Berman, o seu Jack of Hearts para o século XXI, e o shoegaze esquizofrénico dos Rollerskate Skinny, mas pouco, muito pouco, finalmente vendo que não há volta a dar a isto, ficamo-nos com uns Portishead, podia ser pior.

Segunda-feira, Maio 05, 2008

no centro comercial 


Terça-feira, Abril 08, 2008

i'll never get out of this world alive #2 

Há gente que não consegue fugir ao/do seu mundo, como os habitantes de Arene no Texas, no princípio dos anos 50, embalados pelo som das canções do Hank Williams a desprenderem-se de todos os rádios da pequena cidade.

i'll never get out of this world alive 

Os Modest Mouse, na sua fase mais agreste, ainda mal saídos da adolescência, embora não soubessem fazer álbuns, demasiado longos, cheios de excrescências, fizeram grandes canções. Numa delas Isaac Brock encarna um cowboy bêbado e abusador, Dan, em luta contra os avanços da vida. E o último avanço da vida é a morte. O revoltado cowboy Dan pega numa espingarda, aponta-a para o céu e dispara. "Se eu tenho de morrer, tu também tens de morrer", diz a Deus.

Segunda-feira, Março 31, 2008

portishead #2 

Vou retractar-me (com o novo acordo ortográfico, agora teria de fazer um desenho da minha pessoa, e eu não tenho muito jeito para isso): os dois primeiros álbuns dos Portishead não são maus, eu é que enjoei deles (isto parece-me uma expressão brasileira, mas vai bem com a temática parentética anterior, e o português do Brasil não deixa de ser bonito), principalmente do Dummy. Quando digo que não passaram o exame do tempo, tem mais a ver com o meu gosto - aí já passaram há muito o prazo de validade - do que com qualquer julgamento objectivo da sua validade estética.

Sábado, Março 29, 2008

o vento 

Ao princípio, pensava que era o vento do Fellini, um vento irreal, fantástico, que se ouvia em todos os seus filmes, todos os que eu conheço, mas não, ele ouve-se em todo o cinema italiano, no mais antigo e creio que mesmo no mais recente, e em mais lado nenhum.

Sexta-feira, Março 28, 2008

machine gun 



For I am guilty for the voice that I obey

portishead 

Para terminar com o assunto Portishead aqui no blog, falo do concerto de ontem no Coliseu de Lisboa. Arranjei o bilhete à última hora, porque quando soube do concerto não quis saber, não pensei sequer em ir. Não estava para ouvir aquelas canções todas que já me disseram muito e hoje só me provocam irritação e pouco mais. Só quando ouvi o novo álbum é que me arrependi, e muito. Mas tive razão nas duas ocasiões, quando me desinteressei e quando me arrependi. No concerto, as canções do último álbum foram estupendas, algumas aquém, outras além do que vai sair em disco, as outras, com as devidas excepções - as interpretações mais distantes dos originais -, deixaram-me indiferente, até na Roads, que já foi uma das minhas canções preferidas, dei por mim a olhar para o tecto (o tecto do Coliseu até é engraçado, ou não, e quem é que eram aqueles gajos no camarote presidencial?). O singalong histérico não ajuda, ter uma gaja a desafinar perto de mim também não, as letras, infantilóides, pioram a coisa. Third é um monumento, belíssimo, que aguentará a passagem do tempo, os dois primeiros álbuns não passaram esse teste. Se tiver de ouvir umas centenas de pessoas a cantar em uníssono (não é bem uníssono) a Glory Box outra vez, dou um tiro na cabeça. Aquela merda já deve estar numa compilação qualquer do estilo "Love in the 90's". Era matar aquela gente toda com uma Machine Gun.

Quarta-feira, Março 26, 2008

derrota 

John Ford falava da "glory in defeat", da glória dos derrotados da Guerra da Secessão, dos sulistas, para sempre vilões na história americana, Fernando Lopes diz no filme The Lovebirds - de que eu não esperava gostar tanto - que a derrota tem uma "sad beauty", comparando boxe e cinema, idas ao tapete e desastres da vida. Teixeira de Pascoaes, por seu lado, no Penitente, biografia romaceada de Camilo Castelo Branco, escreve sobre a sensualidade da desgraça. O que calha bem a propósito com uma conversa que tive há tempos com um amigo meu. O Homem é o único animal que se vira contra si próprio. Não no sentido de homicídios ou de massacres, mas do suicídio cometido ao longo do dia-a-dia, todos os dias, banal, de que uma pessoa retira um mórbido prazer e que Ruy Belo enunciava num poema seu.

Sexta-feira, Março 14, 2008

s-k again 

Mais um par de razões pelas quais se deve amar as Sleater-Kinney. Primeiro, o vídeo para uma canção do último álbum The Woods com a irresistível voz da Carrie Brownstein e com a Janet Weiss a entrar por uma janela com uma gaita presa ao pescoço. A seguir, uma gravação do princípio de um concerto no CBGB em 97. Reparem no nervosismo pré-actuação, enquanto ainda se ouve La La Love You dos Pixies no sistema de som, e como os primeiros gritos da Corin Tucker saem um pouco débeis.


Modern Girl. Sleater-Kinney.


Dig me Out. Sleater-Kinney.

Domingo, Março 09, 2008

o terceiro 

Eu lembro-me que adorava Portishead quando saiu o segundo álbum, aquilo era música nova, diferente de tudo o resto, bela, triste. Lembro-me também que odiava as pessoas que diziam "portixed", para mim eram filisteus do pior. Depois passou-me. Fui deixando de ouvir, até não ouvir mais, já não ouvia Portishead há uns bons cinco anos, e a impressão que me ficou, não sei porquê, era que aquilo tinha sido uma coisa do seu tempo, que já não me dizia nada, a voz da Beth Gibbons irritava-me, e os scratchs e aquela cena toda banda-sonora de anos 60 também. Quando pensava em trip-hop, parecia-me evidente a superioridade do Tricky, e, para além disso, eu já não gostava de trip-hop, mas onde é o que trip-hop já vai?, o trip-hop morreu há dez anos, isto já não é trip-hop.

Nunca, mas mesmo nunca, pensei que este álbum dos Portishead valesse alguma coisa, quanto mais aquilo que vale. Repito, é uma obra-prima, imperfeita, inacabada, abrupta. Espero sinceramente que o leak que saiu seja a versão final, porque eu gosto assim. Acordei a apetecer-me ouvir o álbum, para saber se era mesmo verdade, se aquilo existia. Existe.

Sábado, Março 08, 2008

sem título 

O novo álbum dos Portishead leakou. Pode ser só impressão minha, mas isto é uma obra-prima. Sem mais palavras.

uma correcção e umas quantas adendas 

Quando escrevi o post, intitulado Novas Viagens, sobre a hauntologia, cometi um erro, o conceito não foi criado nem por Simon Reynolds nem por Mark Fisher, mas sim por Jacques Derrida. Mais aqui.

Às semelhanças estéticas entre as Sleater-Kinney e os Velvet Underground (ténues, eu sei), compiladas no último post, junto mais uma: na canção The Size of Our Love ouve-se uma viola d'arco (será mesmo uma viola d'arco ou um violino?, não faço a mínima ideia, mas deixo assim) que se um gajo não souber até pode pensar que é o John Cale a tocar. Não é, é um tal de Seth Warren.

Comecei a pensar, será que o Lou Reed gosta das Sleater-Kinney, será que as conhece? O Lou Reed sempre teve a tendência de dizer muito mal e depois muito bem de um dado artista; o Bob Dylan passou de falhado, um gajo que sabia juntar umas palavras que não queriam dizer nada, mas que no fundo não valia nada, para alguém a quem ele se gostaria de equiparar, em apenas dez anos; a opinião sobre Iggy Pop teve percurso semelhante, era um mau imitador, mas afinal é um génio. Dos meus ídolos, pelo menos dois não devem ser lá grandes pessoas. O Lou Reed é um deles. A amizade com o John Cale, que também não deve ser o gajo mais fácil do mundo, prova-o de certa maneira, assim como a relação que tinha com o Andy Warhol, é ouvir o Songs for Drella, e com a Nico. Desde que anda com a Laurie Anderson está melhor, talvez, a ex- mulher é que era um bocado cabra, parece.

Confirma-se de que gosto de todos os filmes que têm os Velvet na banda-sonora. A I'm Sticking With You é uma grande canção, mas lá está eu sou parcial, gosto muito da voz da Maureen Tucker, ela devia ter cantado mais canções, afinal, a After Hours é uma das minhas canções preferidas, e fica muito bem no Juno.

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